21 de julho de 2018

Série: Aprenda a evangelizar com Paulo (8/13)


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Bem-vindos à nova série de postagem “Aprenda a evangelizar com o apóstolo Paulo”. Ela foi adaptada do eBook “Transtornando o Mundo” de John Crotts, disponível para download gratuito.

Nesta postagem, Crotts fala sobre os dois sistemas filosóficos que Paulo se deparou em Atenas e aplica o modelo de Paulo aos nossos dias.

Subindo o Areópago
Sem dúvida, Paulo teve muitas conversas fascinantes com os atenienses e estrangeiros naqueles dias. Ao invés de listar cada uma delas, o historiador Lucas selecionou o evento mais significativo para o evangelho, em seu registro – o discurso de Paulo no Areópago. Começando no versículo 18, Lucas leva seus leitores ao longo daquele maravilhoso relato.

Já vimos Paulo lutando com os líderes rabis em três sinagogas diferentes. Mas, Paulo também não tem medo de se engajar com os transeuntes, ou até mesmo os filósofos pagãos. Em Atenas, Paulo encontrou dois sistemas filosóficos pagãos, que buscavam responder às grandes questões da vida:

E alguns dos filósofos epicureus e estoicos contendiam com ele, havendo quem perguntasse: Que quer dizer esse tagarela? E outros: Parece pregador de estranhos deuses; pois pregava a Jesus e a ressurreição. (Atos 17:18)

Os epicureus formavam um grupo fundado por Epicuro (341 – 270 a.C.). Eles enfatizavam a importância do prazer e da tranquilidade, e buscavam desfrutar a vida apartados da dor, paixão e medo. Para os epicureus, ou não havia deus algum ou, caso eles existissem, estavam distantes demais para se importarem com os assuntos deste mundo. Eles ensinavam que o mundo era apenas o resultado do acaso. Não há vida após a morte e, consequentemente, nenhum julgamento.

Os estoicos foram fundados por Zeno (349 – 265 a.C.). O nome se originou da palavra stoa, que quer dizer colunata, que era o lugar onde Zeno ensinava. Zeno e seus discípulos enfatizavam a importância da razão como o princípio que estruturava o universo e a vida dos homens. Os estoicos enfatizavam o autodomínio na ética, e indiferença à dor ou ao prazer. Você é seu próprio rei, ou até mesmo deus! A versão de deus em que os estoicos acreditavam era panteísta: há uma chama divina em todas as pessoas e em todas as partes da natureza.

Lucas tinha razões importantes para mencionar essas duas escolas de pensamento. Em sua mensagem no Areópago, Paulo se pronunciará diretamente a respeito de suas crenças, como veremos. Embora cada uma dessas escolas tenha descoberto elementos da verdade, nenhuma delas foi longe o suficiente, a ponto de obter a verdade completa, levando-os à salvação.

O resultado imediato da obra de Paulo é registrado por Lucas. Eles pensaram que ele era um tagarela, ou simplesmente estava dizendo coisas estranhas. Aqueles que o chamaram de “tagarela” estavam, na verdade, chamando-o de cata-sementes. Literalmente, essa expressão era usada para designar um tipo de pássaro que ficava catando migalhas de comida nas sarjetas. Figurativamente, veio a ser usada para designar aqueles que juntavam migalhas de conhecimento. Eis um homem tentando fazer passar como profundo o que é, na prática, apenas migalha aleatória de filosofia das sarjetas! Ele deve estar fumando bituca de cigarro usado.

Outros, simplesmente, pensaram que Paulo era esquisito. Sócrates foi acusado de rebaixar os deuses locais de Atenas e introduzir novos deuses; aparentemente, essa foi a avaliação que os atenienses fizeram de Paulo. É possível que o uso ateniense de múltiplas divindades significasse que eles compreenderam equivocadamente a palavra grega anastasis, ou ressurreição, como se fosse um segundo deus ao lado de Jesus. Da mesma forma, pode ser que eles estivessem desdenhosamente repudiando a própria ideia da ressurreição ensinada por Paulo. Após esta reação inicial, alguns atenienses levaram Paulo até o centro das atenções em Atenas, para checar tanto sua mensagem, quanto ele próprio com mais cuidado.

Então, tomando-o consigo, o levaram ao Areópago, dizendo: Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber o que vem a ser isso. Pois todos os de Atenas e os estrangeiros residentes de outra coisa não cuidavam, senão dizer ou ouvir as últimas novidades. (Atos 17:19-21)

O rótulo descritivo Areópago é uma combinação de dois termos. Ares era o deus grego da guerra. O nome latino para Ares era Marte. Pagus era a palavra grega para monte. Desta forma, o Areópago também é conhecido como Monte de Marte. Originalmente, este era um local de encontro dos eruditos e líderes de Atenas, em um monte a sudoeste da Acrópole, com vista para a Ágora, ou a praça. Mas o monte emprestou seu nome para a própria corte. Nos dias de Paulo, a corte também normalmente se reunia no Stoa Real, ou colunata, bem ao lado da Ágora. Assim como Wall Street, em Nova York, é tanto uma rua literalmente, quanto também um apelido para o mercado financeiro, o Areópago era um lugar, mas também um título da corte.

Sob o domínio romano, o poder da corte foi grandemente diminuído, mas no caso de Paulo não parece ter sido um julgamento propriamente dito. Não é usada uma linguagem jurídica, nem sequer se tem o registro de um veredito sendo emitido. Tratava-se apenas de uma audiência pública sobre seus pontos de vista.

O estranho ensino de Paulo assustou e surpreendeu os eruditos atenienses. Era diferente das conversas costumeiras deles, e eles queriam compreender melhor aquele discurso. Paulo entendeu isso como um presente de Deus. Era uma oportunidade para esclarecer o evangelho, diante dos principais filósofos de uma das cidades mais importantes.

Lucas insere um comentário sarcástico sobre a profunda curiosidade dos atenienses em ouvir alguma coisa nova. Esses caras tinham tempo livre demais! Citações antigas mostram que os próprios atenienses admitiam que sua paixão por qualquer coisa nova podia ser excessiva.

Se você compartilhar o evangelho com diferentes tipos de ouvintes, certamente encontrará variados níveis de receptividade. A experiência de Paulo não foi diferente. Em Atenas, houve uma grande receptividade para ouvir a mensagem de Paulo, pelo menos no início, mas nem de longe a disposição para acreditar na mensagem foi a mesma. Eles simplesmente queriam ouvir alguma novidade. Eles não se importavam se aquilo era verdade, ou se poderia ser aplicado na vida deles. Estimule minhas sinapses, não desafie meu coração. Tragicamente, os atenienses não se enxergavam como espiritualmente pobres.

Como transtornar seu mundo intelectual
Coloque-se na pele de Paulo, conforme ele segue esses homens ao Areópago. O que você, o cata-sementes, diria quando fosse cercado pelas mentes mais brilhantes da capital intelectual e religiosa do Império Romano? Trinta mil deuses pagãos adornavam o cenário. Paulo era o inesperado rabi judeu convertido ao cristianismo e, contudo, lá estava ele. Talvez, você nunca esteja na mesma situação, mas você tem o mesmo Salvador que merece ser proclamado. Seus amigos e seus vizinhos não estão adorando o verdadeiro Deus vivo. Eles não estão realmente preocupados em abandonar seus falsos deuses e filosofias, mas Deus colocou você diante deles com uma oportunidade para falar. O que você vai fazer?

Na próxima postagem, iremos estudar exatamente o que Paulo disse, quando Deus escancarou as portas para que ele falasse às elites atenienses. Mas, antes de considerarmos o conteúdo de Paulo, asseguremo-nos de compreender o seu coração. A necessidade pelo evangelho é tão ampla quanto os efeitos da queda; é universal.

Se você mora perto de uma grande livraria, já percebeu como a seção religiosa cresceu? Se você for até a seção de filosofia e outras ‘logias’, poderá descobrir uma grande variedade de homens e mulheres intelectuais com quem conversar. Tente ter sempre uma ou duas perguntas essenciais para iniciar uma conversa. Fazer uma pergunta sobre a verdade, ética ou Jesus pode lhe informar sobre o pano de fundo espiritual da pessoa e colocar você em um intercâmbio bastante útil. Conforme veremos, o discurso de Paulo no Areópago é um ótimo modelo para proclamar Deus a essas pessoas.

Livrarias e bibliotecas geralmente organizam discussões sobre livros. Se já não estiver ocorrendo uma, por que você não se voluntaria para iniciar um bate-papo desses? Ainda que a discussão formal não siga o percurso completo até a cruz, os relacionamentos que você estabelece com os participantes podem levar a excelentes oportunidades posteriores.

Sites na internet podem possibilitar a você a oportunidade de questionar intelectuais sobre os temas fundamentais da vida. Você pode começar um blog, procurando relacionar as respostas de Deus às perguntas deles. Talvez, você possa dar uma resposta inteligente a um artigo no blog de um intelectual.

Você já pensou em voltar para a escola? Matricular-se em um curso de filosofia noturno pode ser um fórum para levar as discussões à verdade absoluta. O simples fato de estar em um campus universitário também abrirá oportunidades para o evangelho entre alunos e professores. Que tal colar uma afirmação filosófica no quadro de avisos com o seu endereço de e-mail e a mensagem: “Procurando conhecimento?”. O avanço do pós-modernismo deixou uma atmosfera de abertura a novos pensamentos nos campi universitários. Toda ideia é boa, exceto pelo exclusivismo do cristianismo. Embora a oposição à nossa mensagem pareça ser uma verdade absoluta, Deus usa a proclamação dessa própria mensagem para abrir os corações, mesmo aqueles dos intelectuais que se opõem a ela. Os frutos da obra de Paulo em Atenas são uma fonte de encorajamento para perseverarmos nos esforços. Conforme veremos adiante, alguns creram!

Ser capaz de escrever sobre o evangelho pode ser uma ferramenta útil em torná-lo mais preciso na forma como você o comunica a outras pessoas. Intelectuais podem ser impactados pelo evangelho, se você escrever um editorial para o seu jornal local. Talvez, você possa tratar de um problema corrente em sua comunidade e criar uma ponte para a solução final de Deus. Mesmo se escrever uma carta sobre o evangelho ao editor, você pode se surpreender com o que acaba indo para impressão.

Quando Paulo se encontrou rodeado por homens superinteligentes, céticos a respeito da mensagem cristã, ele não retrocedeu. Nem nós deveríamos.

20 de julho de 2018

O Desafio de Amar - 27º Dia


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27° Dia
O Amor encoraja

Guarda a minha alma, e livra-me; não seja eu envergonhado, porque em Ti me refúgio. 
(Salmos 25:20)


O casamento tem uma maneira de alterar nossa visão. Criamos expectativas de que o nosso cônjuge preencherá nossas esperanças e nos fará feliz. Mas esse é um pedido impossível para nosso cônjuge atender. Expectativas irreais geram decepções. Quanto maior forem suas expectativas, mais seu cônjuge irá falhar com você e lhe causar frustração.

Se a esposa sempre espera que seu esposo seja pontual, esteja sempre limpo e bem arrumado e entenda todas as suas necessidades, é bem provável que ela passe boa parte da vida de casada sofrendo constantes decepções. Mas se ela for realista e entender que ele é humano, esquecido e às vezes desatento, então ela ficará mais satisfeita quando ele for responsável, amoroso e gentil.

O divórcio é quase inevitável quando as pessoas não permitem que seu cônjuge seja humano. Então, é preciso que haja uma transição em seu pensamento. Você deve escolher viver por encorajamento ao invés de viver por expectativas. O jeito de ser do seu cônjuge nos últimos dez anos é o jeito que ele será no futuro, exceto por seu encorajamento amoroso e pela intervenção de Deus.

O amor coloca o foco na responsabilidade pessoal e na sua melhora em lugar de exigir mais dos outros.

Jesus descreveu isso detalhadamente quando falou sobre a pessoa que viu o "argueiro" no olho do seu irmão mas não notou a "trave" em seu próprio olho.

"Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu: Hipócrita. Tira primeiro a trave do teu olho; e então verás bem para tirar o argueiro do olho do teu irmão". (Mateus 7:4-5).

Seu cônjuge se sente como se convivesse com um inspetor de argueiro? Ele está sempre tenso, temeroso de não atender suas expectativas? Ele diria que passa mais tempo sentindo sua reprovação do que sua aceitação?

Quem sabe você responderá dizendo que o problema não é com você, mas com ele. Se ele realmente se decepciona em várias outras áreas, por que a culpa é sua? Até onde você sabe, é necessário que os dois façam tudo o que podem para o casamento funcionar bem. Se o seu cônjuge não quer que você seja' tão crítico, ele precisa entender que as questões que você levanta são legítimas. Você não está dizendo que é perfeito, de forma alguma, mas que é capaz de dizer o que pensa. Certo?

O problema com este tipo de atitude é que poucas pessoas são capazes de responder à critica com total objetividade. Quando está claro que alguém está infeliz com você - seja por confrontação direta ou por silêncio - é difícil não ficar pessoalmente magoado. Especialmente no casamento.

Apesar de tudo, diferente de qualquer outra amizade, o relacionamento com seu cônjuge começa com os dois fazendo de tudo para agradar um ao outro. Quando vocês namoravam, ele era completamente encantado pela sua personalidade. Você quase não cometia erros. O relacionamento de vocês era bem mais fácil. E mesmo que você não esperasse que fosse assim por toda vida, certamente você não o via tão pecador e tão irado com você. Você nunca esperou que este homem ou mulher que prometeu lhe amar, poderia chegar ao ponto de parecer que não lhe ama.

Então, quando esse contraste absoluto se torna realidade de vida, sua reação natural é resisti-lo, Durante os primeiros dias de casamento, você deve ter sido mais inclinado a ouvir e fazer mudanças sutis. Mas com o passar dos anos, a desaprovação do seu cônjuge só tende a lhe deixar defensivo. Em lugar de fazer você querer corrigir as coisas, ela lhe fere cada vez mais profundamente.

O amor é sábio demais para agir assim. Em lugar de colocar seu cônjuge em uma posição de rebeldia, o amor lhe ensina a dar espaço para ele ser ele mesmo. Mesmo se você for do tipo que estabelece padrões elevados para si, o amor lhe convida a não manter seus padrões elevados em relação à atitude do seu, cônjuge. Você precisa entender que o casamento é um relacionamento para ser aproveitado e apreciado ao longo do caminho. É a única amizade criada pelo próprio Deus onde duas pessoas imperfeitas vivem juntas, mas tratam com a imperfeição encorajando um ao outro, não desencorajando.

A Bíblia diz, "Fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos trementes" (Isaías 35:3). "Pelo que exortai-vos uns aos outros e dedicai-vos uns aos outros, ( ... ) consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejais longânimos para com todos" (1 Tessalonicenses 5:11,14).

Você não deseja que a vida de casado seja o lugar onde você desfrute a livre expressão de ser quem você é, crescendo em um ambiente seguro que lhe encoraje, mesmo quando você falha? Seu cônjuge também - e o amor dá a ele esse privilégio. Se a sua esposa ou o seu marido lhe disse mais de uma vez que você o(a) fez sentir abatido(a) e derrotado(a), você precisa levar estas palavras em consideração. Tenha o compromisso de deixar as expectativas irreais e se tornar o maior encorajador do seu cônjuge, diariamente. E a pessoa que Deus quer que ele seja começará a surgir com nova confiança e amor por você.

» Desafio de hoje »
Elimine do seu lar o veneno das expectativas erradas. Pense em uma área onde seu cônjuge tenha dito que você está esperando muito, e diga a ele que você está arrependido por ter exigido muito dele. Prometa que você procurará entendê-lo, e o assegure de seu amor incondicional.

OBS: Anote as suas experiências quando você concluir o desafio.

O que você descobre a seu respeito quando coloca em seu cônjuge altas expectativas que ele não está internamente motivado a atingir? Quais são as melhores maneiras de lidar com essas divergências?

Consideremo-nos uns aos outros, 
para nos estimularmos ao amor e às boas obras.
(Hebreus 10:24)

Fonte: O Desafio de Amar

17 de julho de 2018

Série: Aprenda a evangelizar com Paulo (7/13)


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Bem-vindos à nova série de postagem “Aprenda a evangelizar com o apóstolo Paulo”. Ela foi adaptada do eBook “Transtornando o Mundo” de John Crotts, disponível para download gratuito.

Nesta postagem, Crotts mostra a reação de Paulo ao se deparar com Atenas, a cidade infestada de ídolos e intelectuais.

Há uma expressão, em Atos 17:17, que responde o porquê de você e eu não nos engajarmos mais frequentemente com não cristãos. A expressão é “por isso”.

“Por isso, dissertava na sinagoga entre os judeus e os gentios piedosos; também na praça, todos os dias, entre os que se encontravam ali” (ênfase adicionada). Paulo foi energicamente trabalhar contestando gregos e judeus com o evangelho de Cristo nas sinagogas. O restante do dia, Paulo investia na praça, desafiando atenienses com as implicações de alguém que foi ressuscitado dentre os mortos.

Para aqueles que frequentaram a Escola Dominical, que aprenderam as histórias sobre Paulo, o seu ministério em Atenas pode não parecer tão memorável assim. Lembre-se, contudo, que Paulo era um homem de carne e osso. No espaço de alguns meses, ele havia sido impiedosamente espancado e aprisionado em Filipos, precisou escapar de Tessalônica, devido às multidões revoltosas de incrédulos, e foi forçado a fugir de Bereia antes que a próxima revolta começasse. O que poderia motivar um homem tão sofrido a abrir sua boca em Atenas, para falar de Jesus?

A expressão “por isso”, no versículo 17, é como a palavra “portanto”, que se liga a um conceito dito anteriormente e baseia uma conclusão sobre ele. Antes do versículo 17, lemos: “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, o seu espírito se revoltava em face da idolatria dominante na cidade. “Ele abriu sua boca com a mensagem de Deus, por causa de seu santo zelo pela glória de Deus. Seu coração era como uma tempestade furiosa. A paixão crescia, conforme ele conhecia a cidade. Em seu discurso posterior, Paulo faz menção ao fato de que vinha “passando e observando os objetos” do seu culto (versículo 23).

Paulo assimilou o seu entorno. Conforme examinava os objetos que os atenienses adoravam, ele queimava por dentro. E porque ele queimava, ele falava. Uma coisa é declarar em oração as palavras “santificado seja o teu nome”, mas é outra completamente diferente queimar por dentro, quando o nome de Deus não está sendo honrado.

Nessas horas em que você não abre a boca por Cristo, quando a oportunidade se apresenta, será que a razão é mais vertical que horizontal? Em outras palavras, não seria mais do que simplesmente não saber como iniciar uma conversa, ou não querer ficar constrangido pela pessoa não gostar do que você tem a dizer? Será que não lhe falta zelo pela grandeza e louvor de Deus?

A reação de Paulo a Atenas
Paulo, neste momento, estava sozinho em Atenas. Logo Silas e Timóteo se juntariam ao seu líder, mas antes que eles pudessem estar lá, o cenário estava preparado para um confronto espiritual. Aqui estava, sem sombra de dúvidas, o maior representante do cristianismo, na cidade conhecida por abrigar as mentes intelectuais mais brilhantes do mundo pagão. Certamente, sairia faísca.

O relato do tempo que Paulo passou em Atenas é descrito em duas partes principais: (1) suas intensas interações na sinagoga, na praça e no Areópago (Atos 17:16-22), que examinaremos nesta postagem, e (2) sua mensagem mais importante nesta “Meca da filosofia” (Atos 17:22-34), que trataremos na postagem seguinte.

Infestação de Ídolos!
Atenas ficava na província romana de Acaia, que se encontra na porção sul da Grécia moderna. Havia experimentado sua Era de Ouro entre os séculos IV e V antes de Cristo. Os filósofos Sócrates e Platão eram nativos, mas outros pensadores influentes, tais como Aristóteles, com alegria adotaram a cidade como seu local de moradia. Quando menino, Paulo certamente ouviu muitas coisas sobre a grande Atenas, famosa por mais de meio milênio.

No primeiro século, Atenas estava em declínio, mas ainda vivia de seu passado glorioso. A cidade ainda desfrutava da reputação de ser a capital intelectual e religiosa de Roma. Eruditos de todo o mundo antigo afluíam para lá, a fim de aprender em sua universidade. John Stott chama Atenas de uma cidade “esteticamente magnífica e culturalmente sofisticada, mas moralmente decadente e espiritualmente enganada, morta”.

Paulo andava pela cidade como um turista, observando todas as atrações. Ao olhar para a Acrópole, ele podia ver o maravilhoso Partenon. A gigantesca estátua de ouro e marfim de Atenas segurava uma lança reluzente, que podia ser vista a mais de 60 km de distância! Paulo não era um bárbaro sem cultura. Nós podemos chamá-lo de um bacharel das universidades de Tarso e Jerusalém. Ele era um cidadão romano muito viajado. Provavelmente, ele se divertiu em alguma medida e ficou fascinado com toda aquela arte, arquitetura, história e sabedoria dançando em frente aos seus olhos. Infelizmente, aquela arte impressionante tinha profundo significado religioso. Qualquer diversão que Paulo experimentou foi rapidamente destruída por seu conhecimento dos males de tal idolatria.

Os relatos dizem que a cidade era cheia de ídolos. Na verdade, era infestada de ídolos. Um comentarista estimou que Atenas tivesse em torno de 10.000 habitantes e 30.000 ídolos! Era três vezes mais fácil encontrar um ídolo em Atenas que um ser humano. Xenofonte se referiu a Atenas como um “grande altar, um grande sacrifício”. Estátuas de ídolos de todos os tipos e de todos os tamanhos se alinhavam em praticamente todas as ruas. Templos pagãos com seus deuses estavam em toda parte. Paulo vai além, e descreve os atenienses como “acentuadamente religiosos” (Atos 17:22).

Os atenienses não estavam sofrendo de uma falta de religião sincera, mas estavam adorando o deus errado. Devoção sincera a falsos deuses leva ao inferno.

Agitado
O que estava acontecendo no coração de Paulo, conforme seus olhos eram tomados de assalto por essa feira de idolatria? A descrição inspirada diz que “o seu espírito se revoltava”. Lucas usou um termo de seu contexto médico, com a conotação de uma convulsão ou um ataque epilético. A expressão finalmente veio a significar “provocado”, “irado” ou “furioso”. Paulo não estava irado pecaminosamente, mas seu espírito irrompeu com zelo pela glória de Deus. O tempo verbal indica uma ação contínua no passado, de forma que não se tratava de uma reação explosiva e violenta, mas antes uma crescente disposição de espírito.

Henry Martyn, missionário entre os muçulmanos da Pérsia, disse: “Eu não poderia suportar minha existência, se Jesus não fosse glorificado; seria o inferno para mim, se ele fosse sempre… desonrado”.

Você parou para observar sua cidade recentemente? Sem dúvida, há muito para revoltá-lo. A glória de Deus é desprezada ao nosso redor, a cada dia. Você se importa? Ou seu coração já se acostumou com essas afrontas? Você não tomará qualquer atitude, até que seu coração comece a queimar.

Abra sua Boca
É no contexto dessa descrição da revolta de Paulo que Lucas, o autor deste relato, inseriu a expressão “por isso”. Ele não tirou férias do ministério, enquanto estava em Atenas. O coração de Paulo se inflamava. Ele tinha que falar. A experiência de Paulo faz um paralelo com o profeta Jeremias, que certa vez disse: “Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais” (Jeremias 20.9).

Paulo não perdia tempo com murmurações inúteis, ou ficava preocupado sem ação. Em seus lábios não se formavam resmungos imprecatórios contra os pagãos atenienses. Recuar do evangelho, em nome da separação, também não estava na agenda do apóstolo. Ao invés disso, ele falava.

Primeiro, Paulo empregou sua estratégia tradicional de discutir sobre o evangelho com os que estavam nas sinagogas, como ele havia feito antes, em Tessalônica (v. 3) e em Bereia (vv. 10 e 11). Ele também abriu sua boca na praça. A Ágora era mais que apenas o mercado de pulgas local, com uma imensidão de lojas enfileiradas. Ela também tinha uma segunda função como o centro da vida pública. Os templos, fóruns e a sede do governo ficavam todos ao redor dos alpendres com colunata, que formavam o coração da cidade.

Paulo não começou um “louvorzão”, nem fez uma encenação teatral para juntar uma multidão. Ele simplesmente foi até o lugar onde as pessoas se encontravam. E ele fez isso “todos os dias, entre os que se encontravam ali” (Atos 17:17). Nossas praças podem ser praças literalmente. Mas você também pode ir a um parque, ao mercado, cafeterias, avenidas, shoppings, universidades, lanchonetes ou clubes. Vá onde quer que as pessoas se encontrem para conversar. John Stott disse bem: “Há uma necessidade por evangelistas talentosos, que possam fazer amigos e conversar sobre o evangelho em situações tão informais quanto estas”. Você consegue puxar assunto com a pessoa mais próxima de você em uma cafeteria? Você consegue falar naturalmente alguma coisa sobre Jesus? Tente uma vez. A fidelidade de Paulo em pequena escala, em seu ministério na praça, eventualmente o levaria a um lugar muito maior para proclamar a Cristo.

16 de julho de 2018

O Desafio de Amar - 26º Dia


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26° Dia
O Amor é responsável

Quando julgas, (. .. ) te condenas a ti mesmo naquilo em que
julgas a outro; pois tu que julgas, praticas o mesmo.  (Romanos 2:1)


Hoje vai ser difícil. Mas enquanto você busca a força e a sabedoria de Deus, será capaz de passar por isso. Hoje pode ser um marco em seu casamento se você assim permitir. Então, decida focar no que Deus está dizendo e proponha-se a seguir Sua direção.

Hoje vamos falar sobre responsabilidade pessoal. É algo que sempre concordamos que os outros devem ter, mas, relutamos quando se trata da nossa própria responsabilidade. Nas últimas décadas, tem ocorrido um declínio no que diz respeito a responsabilidade pessoal. Cada vez mais as pessoas parecem menos conscientes de seus próprios erros. Vemos isso acontecer na política, nos negócios e nas manchetes de celebridades.

Porém, esse não é um problema específico de ricos e famosos. Para ter como exemplo alguém que sempre tem uma desculpa para cada ato, tudo o que temos que fazer é olhar no espelho. Somos tão prontos a justificar nossos motivos. Tão rápidos para desviar a crítica. Tão prontos para encontrar uma falha – especialmente em nosso cônjuge, que é geralmente o mais fácil de culpar.

Temos a tendência de acreditar que nossa visão é correta, ou pelo menos, muito mais correta que a do nosso cônjuge. E não acreditamos que qualquer pessoa, debaixo das mesmas circunstâncias, agiria de
forma muito diferente de nós. Até onde sabemos, estamos fazendo o nosso melhor. Nosso cônjuge deve ficar grato por sermos tão bons com ele.

Entretanto, o amor não culpa o outro tão facilmente ou justifica motivos próprios. O amor nem de longe se preocupa com seus próprios interesses da mesma maneira que se preocupa com as necessidades dos outros. Quando o amor se responsabiliza por suas ações, não é para provar o quão nobre você tem sido, mas sim para admitir que você ainda tem um longo caminho a percorrer.

O amor não dá desculpas. O amor continua trabalhando para fazer a diferença em você e em seu casamento.

É por esta razão que da próxima vez que você estiver discutindo com seu cônjuge, em lugar de preparar sua retaliação, pare e veja se existe algo digno de ser ouvido na fala do seu cônjuge. O que pode acontecer em seu relacionamento se em lugar de transferir a culpa, você primeiro admitir seus próprios erros? Como dizem as Escrituras, ''A repreensão faz marca mais profunda no homem de entendimento do que c:em açoites no tolo" (Provérbios 17: 10).

O amor é responsável e disposto a admitir e corrigir seus erros e falhas logo no início. Você está sendo responsável por esta pessoa que você escolheu para ser o amor da sua vida? Você está disposto a se certificar se as necessidades do seu cônjuge estão sendo supridas? Ou você só se preocupa se seu cônjuge está suprindo as suas? O amor nos chama a sermos responsáveis por nosso (a) companheiro (a) no casamento. A amá-lo (a). A honrá-lo (a). A cuidar dele (a).

Você se responsabiliza por seus próprios erros? Você disse ou fez algo de errado para o seu cônjuge ou para Deus? O amor deseja ter um relacionamento correto com seu cônjuge e com Deus. Uma vez que isso esteja acertado, é hora de acertar outras áreas.

Um coração realmente arrependido leva um tempo para crescer ,em você. O orgulho é muito resistente à responsabilidade, mas a humildade e a honestidade diante de Deus e do seu cônjuge são cruciais para um relacionamento saudável.

Isso não significa que você está sempre errado e seu cônjuge sempre certo. Não é uma questão de se tornar um capacho. Mas se existe algo que não está certo entre você e Deus, ou você e seu cônjuge, então essa deve ser a sua prioridade.

"Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós" (1 João 1:8). Contudo, "se confessarmos os nossos pecados, [Deus] é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça" (1 João 1 :9). Confesse seus pecados primeiro, depois você estará em um solo melhor para resolver as coisas com o seu cônjuge.

Para caminhar com Deus e alcançar o Seu favor, você precisa estar limpo diante d’Ele. Isso não quer dizer que você não pode falhar, mas que você pode confessar sua falha a Deus e pedir perdão.

Seu cônjuge pode dizer que você errou ou o feriu de alguma forma e nunca corrigiu seu erro? Um dos papéis de quem tem responsabilidade é admitir quando falha e pedir perdão. É hora de se, humilhar, de corrigir suas ofensas e de reparar o prejuízo. Isso e um ato de amor. Deus não quer que haja questões não resolvidas entre vocês.

O problema é: para fazer isso sinceramente você deve "engolir" seu orgulho e buscar perdão independente de como seu cônjuge responde a isso. Ele deve lhe perdoar, mas sua responsabilidade não depende da decisão dele. Admitir seus erros é sua responsabilidade. Se seu cônjuge errou com você, deixe que ele trate disso outra hora.

Peça para Deus lhe mostrar onde você falhou em ter responsabilidade, então se acerte com Ele. Uma vez que você tenha feito isso, você precisa se acertar com seu cônjuge. Essa pode ser a coisa mais difícil que você já tenha feito, mas é crucial para dar o próximo passo em seu casamento e com Deus. Se você for sincero, você será surpreendido pela graça e pela força que Deus lhe da como resultado dessa decisão.

» Desafio de hoje »
Separe um tempo para orar pelas áreas onde você tem errado. Peça o perdão de Deus, então, humilhe-se a ponto de admiti-los ao seu cônjuge. Faça isso sinceramente e verdadeiramente. Peça perdão a seu cônjuge também. Não importa como ele irá responder, certifique-se de ter assumido sua responsabilidade em amor. Mesmo se ele responder com uma crítica, aceite-a como um conselho.

OBS: Anote as suas experiências quando você concluir o desafio.

O que o seu cônjuge precisa ver para acreditar que sua confissão foi mais do que palavras?

Mas prove cada um a sua própria obra, 
e então terá motivo de glória somente em si mesmo. 
(Gálatas 6:4)

Fonte: O Desafio de Amar